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VLTs explodem em projetos no Brasil e prometem revolução silenciosa na mobilidade urbana
VLTs explodem em projetos no Brasil e prometem revolução silenciosa na mobilidade urbana
Fonte principal: Conheça 9 projetos de VLT no Brasil -, Brasil e China firmam parceria que prevê ferrovia ligando Atlântico e Pacífico | G1, Brasil tenta, de novo, expandir as ferrovias. Mas ainda falta combinar com os chineses · Por Redação Mundo Trilhos
A retomada dos bondes modernos como tecnologia do desenvolvimento sustentável nas cidades brasileiras.
Atualmente, o Brasil possui apenas dois sistemas de Veículos Leves sobre Trilhos elétricos em funcionamento, um no Rio de Janeiro e outro na Baixada Santista. Contudo, uma nova onda de projetos está redefinindo o cenário da mobilidade urbana nacional.
A eficiência no deslocamento é uma medida do progresso urbano, segundo pensadores que associam o avanço das cidades ao transporte eficiente. Nesse contexto, os bondes modernos, agora conhecidos como VLTs, retornam ao debate público com renovada força.
Os VLTs contemporâneos diferem dos bondes nostálgicos antigos. Eles são veículos de piso baixo, acessíveis e silenciosos, alimentados por catenária aérea e projetados para operar em via semi-segregada. Combinam a leveza do bonde com a capacidade de um metrô de superfície, com custo de implantação significativamente menor do que o do metrô subterrâneo.
Um levantamento recente do Via Trolebus identificou nove projetos em diferentes estágios de desenvolvimento, distribuídos por todo o território brasileiro. A lista inclui desde iniciativas em estágio inicial até propostas com licitações agendadas para os próximos anos.
O projeto mais ambicioso é o VLT de Campinas, que prevê 44 quilômetros de trilhos, divididos em dois ramais de 22 quilômetros cada. Haverá 18 estações atendendo três municípios, conectando o futuro Trem Intercidades Eixo Norte, o centro de Campinas e o Aeroporto de Viracopos.
A licitação está agendada para 2027, e a operação pode iniciar na próxima década. O sistema adotará o conceito de piso baixo e catenária aérea, padrões internacionais que garantem acessibilidade universal e eficiência energética.
Em São Paulo, o Bonde São Paulo planeja duas linhas ligando o centro histórico ao Bom Retiro, com estudos para versões elétricas, a hidrogênio ou até o modelo ART (Veículo Leve Pneumático). Já a Linha 14-Ônix, entre Guarulhos e Santo André, mede 32 quilômetros, com 22 estações e operação semi-segregada, incluindo trechos elevados e em túnel.
Sorocaba planeja 25 quilômetros de VLT com 13 estações, aproveitando a malha ferroviária existente e criando conexão com o TIC Eixo Oeste rumo a São Paulo. Em Curitiba, o projeto substituirá o BRT do Eixo Boqueirão, estendendo-se até o Aeroporto Afonso Pena, com integração física e tarifária ao sistema metropolitano.
Bauru formou um grupo de trabalho para avaliar a viabilidade de um VLT que aproveite parte da linha férrea local, com contratação de estudos prevista para 2025. Em Niterói, a proposta é de um percurso de 5 quilômetros com 9 estações, ligando o bairro do Barreto ao Terminal João Goulart, no Centro.
Vitória e Vila Velha planejam três linhas de VLT com via dupla e veículos elétricos, integradas física e tarifariamente aos demais modais da Região Metropolitana. Florianópolis, por sua vez, retomou os estudos do Plamus para implantar um VLT que complemente os sistemas existentes.
Esses projetos transcendem a simples questão de transporte, representando instrumentos de requalificação urbana e de indução do desenvolvimento orientado ao transporte coletivo. O VLT, com seu piso baixo e via semi-segregada, proporciona uma experiência de deslocamento estável, silenciosa e acessível, humanizando o espaço público.
O momento atual é otimista para especialistas. Conforme destacou a Revista Ferroviária, Ana Patrizia Lira, diretora-executiva da ANPTrilhos, aponta que há projetos em diversas fases, o que é crucial para alcançar um desenvolvimento consistente do setor sobre trilhos no país.
No entanto, o financiamento permanece o principal gargalo, pois os investimentos são significativos e o retorno geralmente de longo prazo. Modelos de parcerias público-privadas e o uso de receitas imobiliárias acessórias têm sido os mecanismos mais discutidos para equilibrar as contas.
O renascimento dos bondes modernos no Brasil sinaliza uma mudança na política de mobilidade, que por décadas priorizou o automóvel e o ônibus. Agora, os trilhos voltam a ser vistos como a espinha dorsal de cidades mais sustentáveis, civilizadas e humanas.
Redação
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