Fotografia documental sobre A primavera dos VLTs: 9 projetos que podem transformar a mobilidade urbana no Brasil

Imagem: Foto: Wikimedia Commons · Licença: cc-by-sa

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A primavera dos VLTs: 9 projetos que podem transformar a mobilidade urbana no Brasil

A primavera dos VLTs: 9 projetos que podem transformar a mobilidade urbana no Brasil

Fonte principal: Conheça 9 projetos de VLT no Brasil -, Ferrovias em construção no Brasil e concessões, Brasil tenta, de novo, expandir as ferrovias. Mas ainda falta combinar com os chineses · Por Redação Mundo Trilhos


Retomada nacional dos bondes modernos combina requalificação urbana e integração modal.

O Brasil vive um momento raro de convergência de projetos de transporte urbano sobre trilhos, com nove sistemas de VLT em diferentes estágios de desenvolvimento. Doze anos após a inauguração do VLT do Rio de Janeiro, uma nova onda de bondes modernos se espalha pelo mapa e promete reconfigurar a mobilidade de capitais e cidades médias.

Toda grande cidade revela sua inteligência pelo modo como desloca as pessoas, e o retorno do veículo leve sobre trilhos ao planejamento urbano brasileiro indica uma guinada técnica relevante. Não se trata de saudosismo ferroviário, mas de optar por um modal de alta capacidade, emissão zero e integração fina com o tecido das ruas.

Atualmente, o país opera dois VLTs elétricos modernos — o do Rio de Janeiro, com 28 quilômetros e 42 estações, e o da Baixada Santista, articulando Santos e São Vicente. Ambos provaram que composições silenciosas e sem fios aéreos podem costurar centros históricos, orlas e terminais de transporte com eficiência e ganho paisagístico.

É justamente essa experiência acumulada que alimenta os novos traçados, segundo apontou o portal Via Trolebus em seu recente panorama dos projetos em curso. Os nove corredores planejados vão de breves 5 quilômetros em Niterói até robustos 44 quilômetros em Campinas, revelando um mosaico de escalas e soluções de engenharia.

O Bonde São Paulo, por exemplo, quer reconquistar o centro expandido com duas linhas entre a região central e o Bom Retiro, apostando em versões elétricas ou até movidas a hidrogênio como alternativa. A prefeitura também avalia o ART, um veículo leve pneumático que dispensa trilhos metálicos e pode reduzir o custo de implantação sem perder a qualidade da via segregada.

Já na região do ABC Paulista, a Linha 14-Ônix impõe um salto de complexidade ao projetar 32 quilômetros entre Guarulhos e Santo André, com 22 estações em sistema semi-segregado. O traçado inclui túneis e trechos elevados, e a concessão está prevista para ainda este ano, mirando a operação na década de 2030.

Campinas desenha um VLT de 44 quilômetros com dois ramais de 22 quilômetros e 18 estações, conectando o polo de inovação do TIC Eixo Norte ao centro e ao Aeroporto de Viracopos. A licitação deve sair em 2027, e o projeto funciona como espinha dorsal para a reestruturação metropolitana.

Sorocaba aposta em um corredor de 25 quilômetros e 13 estações, aproveitando trechos da malha ferroviária existente para conectar a cidade ao futuro TIC Eixo Oeste rumo a São Paulo. A concessão está programada para 2028.

Bauru avança com estudos de viabilidade e prevê contratar a análise em 2025, enquanto Curitiba prepara o substituto do BRT do Eixo Boqueirão com um VLT até São José dos Pinhais e o Aeroporto Afonso Pena, apoiado pelo BNDES. Vitória planeja três linhas elétricas com via dupla e integração física e tarifária total com a Grande Vitória.

Niterói costura um traçado de 5 quilômetros e 9 estações entre o bairro do Barreto e o Terminal João Goulart, e Florianópolis retoma o Plamus para avaliar seu primeiro bonde moderno. A diversidade de soluções tecnológicas – do aço ao pneumático, do elétrico ao hidrogênio – mostra que não existe fórmula única para os trilhos urbanos, mas um princípio comum.

Esse princípio é a prioridade ao transporte coletivo sobre o automóvel, com cada cidade buscando a equação certa entre densidade, custo de construção e capacidade de transformar o espaço público. A presença do BNDES como parceiro técnico e financeiro sinaliza que o planejamento de VLT está entrando na agenda de grandes investimentos federais.

Nenhum VLT se paga apenas com tarifa, e é exatamente por isso que a modelagem de concessão patrocinada surge como caminho para viabilizar o salto de qualidade que as cidades exigem. Olhando para o mapa, é possível enxergar um país que volta a se reconhecer no trilho como espinha da mobilidade urbana, e não mais como peça de museu.

Cada novo VLT é uma declaração de que a cidade inteligente desloca gente, e não apenas veículos. O Brasil dos trilhos urbanos está em movimento, e a engenharia nacional tem a chance de escrever um capítulo duradouro sobre como as pessoas devem se encontrar no espaço público.