Espanha abandona duplicação de ferrovia de carga entre Teruel e Sagunt

Imagem: Photo by nguyenkhacqui on Pixabay

Espanha abandona duplicação de ferrovia de carga entre Teruel e Sagunt

Ministério dos Transportes descarta segunda via no Corredor Mediterrâneo; governo de Aragão critica decisão e promete contestar.

Fonte principal: Regional leaders complain as plan to double-track key Spanish freight corridor dropped · Por Redação Mundo Trilhos


O Ministério dos Transportes da Espanha abandonou os planos de duplicar a ferrovia entre Teruel e Sagunt, no Corredor Mediterrâneo, após concluir que a capacidade adicional não justificaria o custo. A decisão gerou forte reação do governo regional de Aragão, que afirmou que a medida criará um gargalo na rota para o porto de Valência, classificando-a como um ‘erro histórico’.

O ministério formalizou o apoio à manutenção de uma ferrovia de bitola ibérica (1.668 mm) de via única entre Teruel e Sagunt, abrindo consulta pública após descartar a alternativa de dupla via que estava em avaliação para o corredor.

O trecho forma a parte sul do eixo transversal Zaragoza – Teruel – Sagunt, conectando os polos logísticos de Zaragoza-Plaza e Platea aos portos da costa mediterrânea. Zaragoza, um dos centros industriais da Península Ibérica, está na interseção de rotas para a costa cantábrica, o Atlântico, Madri, o Mediterrâneo e a fronteira francesa.

Descartar uma segunda via ao sul de Teruel deixará trens de carga e passageiros competindo por capacidade no principal elo ferroviário de Aragão com os portos valencianos. No entanto, o estudo mais recente do ministério concluiu que a demanda prevista de passageiros não justificava uma ferrovia de via dupla.

O documento afirma: ‘Dado o baixo volume de serviços ferroviários de passageiros, considera-se que a configuração de via única é a mais adequada, com os cruzamentos necessários ao longo do trecho para permitir a operação conjunta de serviços de passageiros e carga.’

A única proposta de via dupla, a Alternativa E, previa um alinhamento totalmente novo para 300 km/h e exigiria investimento superior a €3,7 bilhões, excluindo IVA. O estudo concluiu que a demanda adicional de passageiros seria insuficiente para justificar o custo e removeu a opção de avaliação.

Governo de Aragão reage

O governo de Aragão acusou o ministério de rebaixar o corredor em seu acesso ao porto de Valência e disse que contestará formalmente o projeto. A escolha demonstra ‘falta de ambição e compromisso’, chamando-a de ‘erro histórico’.

O governo regional exige que o trecho seja desenvolvido como uma ferrovia eletrificada, de via dupla e alto desempenho, retomando a opção mais ambiciosa considerada no estudo. A rota já havia sido identificada como trecho de alto desempenho em 2004, enquanto o restante do Corredor Mediterrâneo é planejado como via dupla eletrificada.

‘O trecho é a conexão de todo o corredor com o principal porto espanhol para tráfego de carga’, disse David Sánchez Fraile, titular da pasta de transportes de Aragão. Ele alertou que manter via única ‘cria um gargalo injustificado em um eixo ferroviário estratégico’ para o transporte nacional e internacional.

‘O que o ministério nos apresenta hoje é um erro histórico, porque em 2004 esta rota foi concebida como um corredor de alto desempenho. Ainda temos tempo para corrigir e vamos trabalhar para que isso aconteça’, insistiu Fraile. ‘Não podemos permitir que Aragão fique para trás por uma decisão que não entendemos.’

A reportagem foi originalmente publicada na publicação irmã da Railway Gazette International, RailFreight.com.