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Escócia estuda trem noturno direto para a Europa continental
Transport Scotland cria grupo de trabalho para avaliar viabilidade de serviço Caledonian Sleeper internacional até a Europa.
Fonte principal: Transport Scotland working group explores options for international Caledonian Sleeper services · Por Redação Mundo Trilhos
O governo escocês deu o primeiro passo para avaliar a criação de um serviço noturno direto de passageiros ligando a Escócia a destinos na Europa continental. A Transport Scotland, órgão de entrega do governo, anunciou em 4 de agosto a formação de um grupo de trabalho para conduzir um estudo de viabilidade sobre a expansão do Caledonian Sleeper para além das rotas atuais.
Hoje, o Caledonian Sleeper opera trens noturnos que conectam diversas cidades escocesas a Londres Euston. A proposta é estender esse serviço até o continente europeu, cumprindo um compromisso assumido pelo governo escocês durante a última campanha eleitoral.
O grupo de trabalho reúne representantes da Transport Scotland, da Scottish Rail Holdings e da própria Caledonian Sleeper. A primeira reunião já ocorreu, marcando o início oficial do estudo de viabilidade de alto nível.
Segundo a railwaygazette.com, o foco será avaliar as oportunidades técnicas e comerciais, bem como os desafios envolvidos na extensão dos serviços para a Europa. O estudo deve fornecer uma base de evidências para decisões futuras.
O Secretário de Gabinete para Economia, Turismo e Transporte, Stephen Flynn, destacou a importância do passo. ‘Estamos comprometidos em explorar o potencial de um serviço direto do Caledonian Sleeper para a Europa continental’, afirmou. ‘O estabelecimento deste grupo de trabalho marca um primeiro passo importante para cumprir esse compromisso.’
Flynn explicou que o estudo está em estágio inicial e se concentrará em entender as considerações práticas, técnicas e comerciais. ‘As conclusões fornecerão uma base de evidências para informar quaisquer decisões futuras’, acrescentou. O grupo deve reportar os resultados aos ministros escoceses ainda este ano.
A operação do Caledonian Sleeper está sob controle da Scottish Rail Holdings, braço do governo descentralizado, desde junho de 2023. A gestão anterior, sob contrato com a Serco, chegou ao fim nessa data.
A ideia de ligações noturnas diretas entre a Escócia e a Europa não é nova. Em 2023, a startup francesa Midnight Trains chegou a cogitar um serviço Paris – Edimburgo. No entanto, a ambição de criar uma rede pan-europeia de trens-cama se mostrou grande demais, e a empresa encerrou as atividades em junho de 2024.
Desde a abertura do Túnel do Canal, em 1994, políticos regionais e defensores do transporte ferroviário alimentam o sonho de trens internacionais diretos para cidades além de Londres. Mas os obstáculos práticos para operar tais serviços, sejam diurnos ou noturnos, têm se mostrado altos demais para que operadores interessados os superem de forma econômica.
Um exemplo marcante foi a frota de material rodante encomendada pela British Rail para operar trens noturnos internacionais entre várias cidades do Reino Unido e a Europa continental. Os veículos, alguns já concluídos e outros parcialmente construídos, nunca chegaram a entrar em serviço. O projeto foi abandonado e o material acabou vendido para a VIA Rail Canada.
Um dos principais entraves é a postura rígida do Reino Unido em relação à imigração e segurança. Até hoje, isso impede que passageiros domésticos sejam transportados no trecho britânico de qualquer viagem internacional. Além disso, os operadores são obrigados a oferecer depósitos de trens totalmente seguros, no padrão ‘airside’, e processos de controle de fronteira justapostos nas estações.
Essas condições têm funcionado como um freio recorrente à expansão dos serviços de passageiros pelo Túnel do Canal, além da rede atualmente operada pela Eurostar, que inclusive encolheu consideravelmente desde a pandemia.
O estudo escocês, portanto, enfrenta um cenário desafiador. Ainda assim, a criação do grupo de trabalho representa um movimento concreto do governo para avaliar a viabilidade de uma conexão noturna internacional, algo que poderia transformar a mobilidade entre a Escócia e o continente.
A expectativa é que o estudo de viabilidade traga clareza sobre os custos, a demanda e as soluções técnicas necessárias. Por enquanto, o projeto segue em fase embrionária, mas já coloca a Escócia no centro de um debate que envolve infraestrutura, regulação e inovação no transporte sobre trilhos.
Acompanhe o Mundo dos Trilhos para mais atualizações sobre essa e outras iniciativas de mobilidade sobre trilhos no Reino Unido e no mundo.
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